*(Ao final da página temos exemplos de narrações deste poema por duas declamadoras, se for o caso de que o leitor queira acompanhá-lo ao som da declamação)
TRAÇO DE UNIÃO
("Poemeto" de Natal)
Se queres ouvir a irretocável narração deste poema por
Serlene Furquim de Oliveira
por favor, clicar no seguinte vídeo:
O relógio bateu, soturna e tristemente,
Três horas da manhã.
Febril e impaciente,
O menino gemeu e virou-se na cama.
E, à mãe que cochilava ao pé do leito, chama:
_ "Mamãe!"
_"Que queres, filho?"
_ "Eu quero ver papai!
Ele não quer voltar? Vai chamá-lo, não vai?"
_ "Filhinho, ele não vem! Desde que nos deixou,
Nunca mais nos quis ver, nunca mais nos buscou;
O pouco que ele dá não chega para o pão.
Nem para o aluguel de um quarto de pensão...
As vaidades do mundo e o amor de outra mulher,
Afastam-no de nós; e é isto o que ele quer...
Para quem se diverte, o alheio sofrimento,
Em vez de comover, causa aborrecimento;
Amigo verdadeiro e único protetor,
Só temos um, meu filho: é Deus nosso Senhor!
Vamos, durma, meu bem!"
Mas o menino insiste:
_ "Eu quero ver papai!" _ E a mãe, exausta e triste:
_ Ele não nos quer ver! É mau, é insensível!
Para que, pois, tentar uma coisa impossível!?!"
Diz-lhe o menino: _ "Então, dê-me pena e papel;
Vou fazer uma carta ao bom Papai Noel.
Talvez por ser Natal, ele logo convença
Meu saudoso papai vir à nossa presença!"
E com trêmula mão e a letrinha ruim,
Uma carta escreveu, mais ou menos, assim:
_ "Papai Noel, você que anda no mundo inteiro,
Dando presente a uns e dando a outros dinheiro,
Traga outra vez papai pra junto da gente!
Mamãe está tão triste e eu estou doente...
Coitada da mamãe! Vive sempre a chorar!...
Quisera ser maior para poder lhe dar
Tudo de que precisa... e precisa de tudo...
Desde a roupa de casa aos meus livros de estudo...
Não quero desta vez brinquedo e pinheirinho!
Quero só o papai, para com seu carinho
Consolar a mamãe e comigo, afinal,
Comemorar talvez o meu último Natal!
Comemorar talvez o meu último Natal!
A mãe, exausta e aflita, esperou um momento;
Ela estava indecisa: o seu temperamento
Talvez não suportasse uma afronta mais forte...
Mas o anseio do filho, às vésperas da morte,
Merecia de si aquela humilhação...
Por isso, ela tomou a estóica decisão
De ir procurar o pai para o filho querido:
De ir procurar o pai para o filho querido:
_ "Descansa, filho! Irei levar-lhe o teu pedido!"
Em face à afirmação de sua mãe que iria
Buscar Papai Noel, o garoto sorria;
E sorrindo dormiu para sonhar depois
Com seu lar renovado: o pai, a mãe _ os dois
Felizes a cantar em volta a um pinheirinho,
Fulgurante de luz, branquejante de arminho...
E, à luz da madrugada, aquela mãe aflita
Saiu para implorar, a quem tinha o dever
De dar à sua dor tristíssima e inaudita
A grata proteção para amar e viver...
Chegou ao lar espúrio e ficou indecisa
Se havia de bater ou não... Mas, qual a brisa,
Ouviu, muito de leve, o filho suplicar:
_ "Mamãe, diga ao papai que eu quero lhe falar!...
Que ele venha depressa aqui à nossa casa...
Não demore, mamãe, que esta febre me abrasa."
E em nada mais pensou; bateu nervosa à porta;
A vigia se abriu e uma voz quase morta
Lá de dentro indagou: _ "Que deseja a senhora?"
_ "Senhor, seu filho doente anseia vê-lo agora!
Venha, venha depressa, ele está muito mal!...
Foi só o que pediu a Deus neste Natal..."
E atrás daquela porta, aquela voz sem brilho
E atrás daquela porta, aquela voz sem brilho
Respondeu: _ "Está bem! Eu irei ver meu filho!"
E aquela pobre mãe voltou depressa, aos trancos;
E magra, e de olhar cavo, e de cabelos brancos,
Naquela casa ruim, naquela rua escura,
Era a cópia fiel da estátua da amargura.
Acordando o menino, em lágrimas, repara
Que fora tudo aquilo um sonho que passara...
E pergunta, depois, à mãe exausta e triste:
_ "Mamãe, diga pra mim:
_"Papai Noel existe?"
_ "Porque eu lhe fiz um pedido
Para trazer de volta o meu papai querido;
ele não se importou nem se lembrou de mim!
Por que será, mamãe, que a sorte é injusta assim?
Creio que do infeliz, do pobre e do tristonho
Papai-Noel, mamãe, só se recorda em sonho."
_ "Meu filho, Deus é bom e há de escutar-te a prece!
Nisto, à porta do quarto, o seu pai aparece;
O menino o percebe e diz-lhe, erguendo a mão:
_ "Papai, papai! Foi Deus que ouviu minha oração!
Por que o senhor, papai, não veio mais nos ver?
Eu estou tão doente, estou quase a morrer...
Veja que quarto escuro e que Natal tão triste!
A árvore de Natal murchou, já não existe...
Noutro tempo, papai, como era diferente:
O senhor enfeitava um pinheirinho e a gente
Cantava em volta dele e ia dormir mais cedo,
Para Papai Noel nos trazer brinquedo...
Recorda-se, papai? É um hino tão antigo;
Porém é tão bonito! Ande, cante comigo:
"Ó pinheirinho de Natal
Que belos são teus galhos!..."
Você chora papai? Você também mamãe?
Papai, sente-se aqui! Você, mamãe, me apanhe
Nosso retrato... Aquele!... Olhem: estou no meio,
Pegando as suas mãos... Papai! Mamãe! Eu creio
Poder fazer o mesmo agora: Deem-me as mãos!...
Assim... assim... Meu Deus, somos todos cristãos...
Ó, une-os para sempre em teu excelso amor!
Para sempre, Senhor!... Para sempre, Senhor!..."
E, num último esforço, as suas mãos juntou;
Olhou sorrindo os dois.. . e, plácido, expirou...


* * *
Senhor, que estás nos céus! Pelos nossos pecados,
Estávamos assim de ti divorciados;
Mas um dia Jesus, teu Filho predileto,
Sofrendo a nossa dor, movido pelo afeto,
Suportou a maldade indômita do mundo,
Subiu à rude cruz e, quase moribundo,
Perdoou nossa falta, uniu as nossas mãos
A mão do eterno Pai, fazendo-nos irmãos
No mesmo sentimento e no mesmo ideal,
No mesmo sentimento e no mesmo ideal,
Para pregar o Bem, para vencer o Mal...
E desde aquele dia a tua paz celeste
Envolve de harmonia o nosso coração,
Porque Jesus se fez sobre o Calvário agreste,
Entre os homens e Deus, o
TRAÇO DE UNIÃO!






Gostei do poema. Parabéns pelas ilustrações.
ResponderEliminarObrigado!
EliminarComo chama o fundo musical desse poema?
ResponderEliminarOlá, obrigado pela pergunta. Esta música de fundo é o tema principal do filme "Forrest Gump" e se chama "FORREST GUMP SUITE" foi composta por Alain Silvestri.
EliminarA mais de 50 anos eu declamo essas poesias amo-as e hoje irei declamar em minha igreja o poema ( traço de união)
ResponderEliminarParabéns pela escolha, certamente é dos mais belos poemas de natal já compostos! Espero que tenha sido todo um êxito sua declamação!
EliminarDeclamei hoje em minha Igreja no nosso natal e lágrimas rolavam dos olhos de muitos irmãos. O final dela é muito linda
EliminarMuito lindo esse poema. Ouço desde que tinha uns 11anos de idade. hj tenho 38 anos. Decorei quase todo. lindo de mais
ResponderEliminarSim, é muito lindo, também o sei de cor.
ResponderEliminar